A partir de 3 de agosto de 2026, os documentos fiscais eletrônicos do regime regular precisam trazer os campos de IBS e CBS preenchidos. Sem eles, o documento pode ser rejeitado — e uma nota rejeitada significa que você não consegue faturar. É a primeira obrigação da reforma com efeito prático real, e vale para NF-e, NFC-e, CT-e, NFS-e e outros documentos.
Este é o prazo mais próximo e mais concreto de toda a reforma. Não envolve pagar imposto novo (2026 ainda é ano-teste), mas envolve emitir corretamente — e emissão travada para o negócio. Neste guia você vai entender exatamente o que muda no documento, o que fazer antes da data, como testar, e o que acontece se algo der errado.
O que muda no documento fiscal
Os documentos fiscais eletrônicos ganham um novo grupo de campos para informar o IBS e a CBS de cada item — separadamente dos tributos antigos, que continuam aparecendo durante a transição. Na prática, a nota passa a carregar as duas realidades ao mesmo tempo: os tributos atuais (ICMS, ISS, PIS/Cofins) e os novos (IBS e CBS), ainda em alíquota de teste.
Em 2026, os valores de IBS/CBS na nota são informativos (alíquota simbólica de 1%, sem recolhimento). Mas informativo não quer dizer opcional: os campos precisam existir e estar corretos, senão o documento é recusado pela validação.
Quais documentos são alcançados
A obrigação não é só da NF-e. Alcança um conjunto amplo de documentos eletrônicos:
- NF-e (Nota Fiscal Eletrônica) e NFC-e (consumidor).
- CT-e e CT-e OS (transporte).
- NFS-e (serviços) e seus modelos de convivência.
- NFCom (comunicação), NF3e (energia elétrica), BP-e e BP-e TM (passagens).
Se a sua empresa emite qualquer um desses, o layout novo precisa estar ativo antes de 3 de agosto. Vale confirmar cada modelo que você usa — não só a NF-e.
Passo a passo: como se preparar antes de 3 de agosto
Passo 1 — Confirme a versão do seu emissor
Fale com o fornecedor do seu sistema (ERP ou emissor) e confirme por escrito que a versão instalada já contempla o layout com os campos de IBS/CBS. Não presuma: peça a confirmação e a data em que a atualização foi aplicada.
Passo 2 — Atualize e emita uma nota de teste
Com a versão certa, emita documentos de teste agora, enquanto erro não gera multa. Teste os cenários que você mais usa: venda para dentro e para fora do estado, para consumidor final e para empresa, com e sem frete. É assim que os problemas aparecem antes da data — e não depois.
Passo 3 — Confira o cadastro de produtos e serviços
Os novos campos dependem de classificações corretas dos itens. Aproveite para revisar o cadastro de produtos e serviços (códigos, NCM, classificações) — cadastro errado gera campo errado na nota. Essa é a causa mais comum de rejeição.
Passo 4 — Treine quem emite
Quem emite a nota precisa saber ler os novos campos e reconhecer um erro antes de transmitir. Uma orientação rápida de meia hora com a equipe evita a fila de notas travadas no dia 3.
Passo 5 — Tenha um plano B para o dia da virada
Combine com o fornecedor do sistema um canal de suporte para os primeiros dias de agosto e saiba quem acionar se uma nota for rejeitada. Faturamento parado é urgência — tenha o telefone certo à mão antes de precisar.
O que acontece se a nota for rejeitada
Se o documento não trouxer os campos corretos, a validação pode recusá-lo. Documento rejeitado é documento que não existe: a mercadoria não pode circular e o serviço não é faturado corretamente. Não é multa — é algo mais imediato: o negócio para até a nota sair certa.
Erros que custam caro
- Confiar que “o sistema atualiza sozinho”. Confirme a versão por escrito com o fornecedor.
- Não emitir nota de teste. O erro precisa aparecer antes da data, não com o cliente na fila.
- Cadastro de produtos desatualizado. É a causa mais comum de campo errado e rejeição.
- Deixar tudo para os últimos dias de julho. Suporte fica congestionado exatamente na virada.
- Testar só a NF-e. A obrigação alcança vários documentos; teste todos os que você emite.
Checklist para 3 de agosto
- Versão do emissor confirmada por escrito com o fornecedor.
- Notas de teste emitidas nos cenários mais usados.
- Cadastro de produtos e serviços revisado.
- Equipe de emissão orientada sobre os novos campos.
- Canal de suporte combinado para os primeiros dias de agosto.
Perguntas frequentes
Vou pagar IBS e CBS já em agosto de 2026?
Não. Em 2026 os valores são informativos (alíquota de teste de 1%, sem recolhimento). O que passa a ser obrigatório é a presença correta dos campos no documento.
A obrigação vale só para a NF-e?
Não. Alcança NF-e, NFC-e, CT-e, NFS-e, NFCom, NF3e, BP-e e outros. Confirme todos os documentos que a sua empresa emite.
O que acontece se eu emitir sem os campos?
O documento pode ser rejeitado na validação. Sem nota válida, a mercadoria não circula e o serviço não é faturado — o negócio para até corrigir.
Como testo se estou pronto?
Atualize o emissor e emita notas de teste agora, nos cenários que você mais usa. Se saírem sem erro, você está pronto; se travarem, há tempo de corrigir.
Empresa do Simples também precisa se adequar?
A obrigação de campos vale para o regime regular. Ainda assim, quem é do Simples deve confirmar com o contador e com o fornecedor do sistema como fica a emissão no seu caso. Veja Simples Nacional na reforma.
Sou Rafael Machado, contador (CRC 1SP 263122/O), em Taubaté/SP. Escrevo aqui para descomplicar contabilidade, tributos, gestão e IA para contadores e empresas. Se quiser trocar uma ideia sobre o seu caso, fale comigo.
Falar no WhatsAppSobre o autorFontes
- Ato Conjunto RFB/CGIBS que trata da obrigatoriedade dos campos nos documentos eletrônicos.
- Comitê Gestor do IBS — cgibs.gov.br.
- Receita Federal — Reforma Tributária do Consumo (gov.br/receitafederal).
Conteúdo informativo, atualizado em julho de 2026. Não substitui a orientação de um contador ou advogado para o seu caso concreto. As datas e alíquotas da reforma tributária ainda podem mudar — confirme sempre na fonte oficial (Comitê Gestor do IBS e Receita Federal) antes de decidir.

Deixe um comentário