Categoria: Contabilidade

  • O balanço da Casas Bahia: o prejuízo de R$ 10 bi que quase não é caixa

    “Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10 bilhões” — a manchete assustou o Brasil. Mas o contador olha o balanço e vê outra história: cerca de R$ 9,1 bilhões desse prejuízo são efeitos contábeis não recorrentes, SEM efeito caixa. Ou seja, boa parte do “rombo” não é dinheiro que saiu do bolso. Esta é a aula de contabilidade do momento — e serve para o seu negócio também.

    O que aconteceu (os fatos)

    No balanço do 2º trimestre de 2026, divulgado em 16 de agosto de 2026 (após dois adiamentos, de 12 e 14/08), o Grupo Casas Bahia reportou:

    • Prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre (contra R$ 555 milhões no mesmo período de 2025);
    • Fechamento de 298 lojas e redimensionamento da operação;
    • Corte de cerca de 1,9 mil postos de trabalho;
    • A companhia está em recuperação extrajudicial desde abril de 2024 (dívida de ~R$ 4,1 bilhões), com plano homologado pela Justiça e adesão de credores.

    Até aqui, parece catástrofe. Mas o número grande esconde o principal.

    A lição de ouro: prejuízo contábil não é falta de caixa

    Do prejuízo de R$ 10,1 bi, cerca de R$ 9,1 bilhões são “efeitos não recorrentes, sem efeito caixa” — ligados à reestruturação (fechamento de lojas e baixa de ativos). Traduzindo: são lançamentos contábeis que reduzem o resultado no papel, mas não representam dinheiro saindo do caixa naquele trimestre.

    É a diferença que todo empresário precisa entender: resultado (lucro/prejuízo) e caixa são coisas diferentes. Dá para ter prejuízo gigante no balanço e ainda assim ter caixa — e o contrário também.

    De onde vem esse “prejuízo sem caixa”

    Quando uma empresa fecha centenas de lojas, ela precisa reconhecer perdas contábeis de uma vez:

    • Impairment (perda por desvalorização): baixa do valor de ativos que não valem mais o que estava no livro (ponto, reforma, marca, ágio);
    • Baixa de ativos e estoques das lojas encerradas;
    • Provisões de reestruturação: reconhecer agora custos futuros (rescisões, multas de contrato).

    Nada disso é “dinheiro que saiu hoje” — é a contabilidade antecipando o estrago no papel, como manda a norma (regime de competência).

    Compõe o RESULTADO (contábil)Compõe o CAIXA
    Impairment / baixa de ativosNão (sem saída de dinheiro)
    Depreciação e amortizaçãoNão
    Provisões (perdas futuras)Só quando efetivamente pagas
    Venda à vista / recebimentoSim
    Pagamento de fornecedor / salárioSim
    A frase para guardar
    Prejuízo contábil bilionário pode ser, em boa parte, “limpeza de balanço” — reconhecer de uma vez perdas que já existiam. O que mata uma empresa não é o prejuízo no papel: é ficar sem caixa.

    Por que fechar 298 lojas “piora” o balanço agora

    Parece contraditório cortar custos e o prejuízo aumentar. Acontece que o fechamento concentra as baixas no presente (você reconhece todas as perdas de uma vez), enquanto a economia de custo (aluguel, folha, energia) aparece nos trimestres seguintes. É dor de curto prazo mirando fôlego no médio prazo — lógica de reestruturação.

    Recuperação extrajudicial x judicial

    A Casas Bahia está em recuperação extrajudicial — que muita gente confunde com falência. Não é:

    ExtrajudicialJudicial
    O que éAcordo com credores negociado fora e depois homologadoProcesso conduzido pela Justiça do início ao fim
    VelocidadeMais rápidaMais longa e complexa
    SinalEmpresa negocia dívida com fôlegoSituação mais crítica
    É falência?NãoNão (falência é outra coisa)

    O que você, empresário, tira disso

    1. Leia o balanço além do número grande: separe o que é caixa do que é ajuste contábil;
    2. Acompanhe a geração de caixa (e o EBITDA), não só o lucro/prejuízo;
    3. Entenda suas provisões — elas antecipam perdas e protegem o resultado futuro;
    4. Reestruture cedo: fechar o que dá prejuízo antes de virar bola de neve;
    5. Diferencie insolvência contábil (patrimônio negativo) de insolvência de caixa (não consegue pagar as contas) — a segunda é a que quebra.

    Esse olhar de caixa se conecta com o que tratamos em fluxo de caixa — e vale para empresa de qualquer tamanho, não só gigante do varejo.

    Importante
    Este texto é uma análise contábil educativa de fatos públicos — não é recomendação de compra ou venda de ações nem previsão sobre o futuro da empresa.

    Perguntas frequentes

    Prejuízo de R$ 10 bi significa que a empresa quebrou?

    Não necessariamente. Boa parte é efeito contábil sem saída de caixa (reestruturação). O que determina a sobrevivência é o caixa e o cumprimento do plano com credores.

    O que é impairment?

    É a baixa contábil de um ativo que passou a valer menos do que está registrado — reconhece a perda no resultado, sem que dinheiro saia do caixa.

    Recuperação extrajudicial é falência?

    Não. É um acordo de renegociação de dívidas com credores, homologado pela Justiça — um instrumento para evitar a falência.

    Por que o prejuízo aumentou justo ao cortar custos?

    Porque as baixas do fechamento são reconhecidas de uma vez agora; a economia de custo aparece nos trimestres seguintes.

    Quer ler o balanço da sua empresa como um raio-x?

    Sou Rafael Machado, contador e sócio-fundador da NEWCONT (CRC 1SP 263122/O). Ajudo empresários a enxergar caixa, resultado e riscos no balanço. Taubaté/SP, atendimento em todo o Brasil.

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    Fontes

    • Balanço do 2º trimestre de 2026 do Grupo Casas Bahia (divulgação em 16/08/2026).
    • CNN Brasil, NeoFeed e demais veículos de imprensa (agosto/2026).
    • Pronunciamentos contábeis (CPC) sobre impairment, provisões e reestruturação.

    Conteúdo informativo e educativo, baseado em fatos divulgados publicamente em agosto de 2026. Não é recomendação de investimento nem análise de ações — não sou consultor financeiro. Os números podem ser revisados pela própria companhia. Não substitui a análise individual de um contador.

  • Obrigações acessórias na transição: o que fica e o que sai

    Obrigações acessórias na transição: o que fica e o que sai

    Uma das promessas centrais da reforma tributária é reduzir obrigações acessórias — aquelas declarações e escriturações que consomem boa parte do tempo do escritório. Mas isso acontece de forma gradual: durante a transição (2026 a 2032), as obrigações antigas convivem com as novas exigências de IBS e CBS. Na prática, o volume de trabalho aumenta antes de diminuir, e o contador precisa gerenciar os dois mundos ao mesmo tempo.

    Importante
    Desde 3 de agosto de 2026, dez documentos eletrônicos passam a exigir os campos de IBS/CBS. Verifique se o seu sistema emissor já foi atualizado para não travar a emissão das notas.

    Entender o que fica, o que sai e o que muda evita duas armadilhas: cumprir uma obrigação que já caiu (desperdício) ou deixar de cumprir uma nova (risco de multa). Este guia organiza o cenário e mostra como o escritório se prepara para atravessar a transição sem sustos.

    A lógica da mudança

    O objetivo final é um sistema mais simples: com IBS e CBS transparentes na nota e apuração mais automática, muitas declarações que existem só para “cruzar” informações perdem sentido. Mas o “final” é 2033. Até lá, vale uma regra de ouro:

    Regra de ouro da transição: nada some antes da hora. Continue cumprindo as obrigações atuais normalmente e acrescente o que a reforma exigir. Só pare de entregar algo quando houver norma expressa dispensando — nunca por conta própria.

    O que tende a permanecer (por enquanto)

    Durante a transição, as obrigações ligadas aos tributos antigos continuam válidas enquanto esses tributos existirem:

    • Escriturações e declarações de ICMS e ISS, enquanto esses tributos estiverem sendo cobrados.
    • Apurações de PIS/Cofins até a extinção pela CBS.
    • Obrigações trabalhistas e previdenciárias (não fazem parte desta reforma).
    • Escrituração contábil e fiscal regular da empresa.

    O que passa a ser exigido

    A reforma acrescenta exigências ligadas ao novo modelo:

    • Campos de IBS e CBS nos documentos fiscais eletrônicos (obrigatórios desde 03/08/2026). Veja IBS e CBS na NF-e.
    • Apuração e controle de crédito e débito de IBS/CBS.
    • Adequação dos sistemas ao layout e às validações do novo modelo.

    O que tende a ser simplificado ou extinto

    Com o tempo, e conforme a regulamentação, obrigações que hoje servem para controlar ICMS, ISS, PIS e Cofins tendem a ser reduzidas ou substituídas por uma apuração mais integrada de IBS/CBS. O ganho de simplicidade é real — mas chega no ritmo da transição, não de uma vez.

    Atenção: a lista do que será dispensado depende de regulamentação que ainda está sendo publicada. Não antecipe a dispensa de nenhuma obrigação sem norma expressa. Confirme sempre na fonte oficial.

    Passo a passo para o escritório se organizar

    Passo 1 — Faça o inventário das obrigações por cliente

    Liste, para cada cliente, todas as obrigações acessórias atuais, com prazo e responsável. Sem esse mapa, é impossível saber o que muda.

    Passo 2 — Marque cada uma como fica, sai ou muda

    Classifique as obrigações conforme o cenário da transição. As que “mudam” (ganham campos ou apuração nova) são as que exigem ação imediata.

    Passo 3 — Ajuste sistemas e prazos

    Garanta que os sistemas atendem às novas exigências e atualize o calendário de entregas. Durante a transição, o calendário fica mais cheio — organizá-lo evita atraso e multa.

    Passo 4 — Acompanhe a regulamentação

    Crie uma rotina de checagem das normas (CGIBS, Receita, fisco estadual/municipal). É por norma que uma obrigação será dispensada — e você precisa saber assim que isso acontecer, para não trabalhar à toa.

    Passo 5 — Comunique o cliente

    Explique que, no curto prazo, o trabalho pode aumentar por causa da convivência de sistemas, e que a simplificação vem depois. Alinhar expectativa evita ruído — inclusive sobre honorários. Veja reajuste de honorários.

    Erros que custam caro

    • Parar de cumprir uma obrigação antes da dispensa oficial. Isso gera multa.
    • Ignorar as novas exigências de IBS/CBS. Elas já valem e têm prazo.
    • Não inventariar as obrigações por cliente. Sem mapa, algo escapa.
    • Não acompanhar a regulamentação. Você continua entregando o que já poderia ter parado.
    • Não avisar o cliente do aumento temporário de trabalho. Vira desgaste na relação.

    Checklist das obrigações na transição

    • Inventário das obrigações por cliente (prazo e responsável).
    • Cada obrigação classificada em fica / sai / muda.
    • Novas exigências de IBS/CBS implantadas.
    • Calendário de entregas atualizado para a convivência de sistemas.
    • Rotina de acompanhamento da regulamentação na fonte oficial.

    Perguntas frequentes

    A reforma vai acabar com as obrigações acessórias?

    A promessa é reduzir bastante, com um sistema mais simples. Mas isso é gradual: durante a transição, as obrigações antigas convivem com as novas, e só depois vem a simplificação.

    Posso parar de entregar declarações de ICMS/ISS?

    Não por conta própria. Enquanto esses tributos existirem e não houver norma dispensando, as obrigações continuam. Aguarde a regulamentação expressa.

    O trabalho do escritório vai aumentar ou diminuir?

    No curto prazo, tende a aumentar (dois sistemas convivendo). No longo prazo, com a simplificação, tende a diminuir. Planeje a equipe para o pico da transição.

    Como fico sabendo o que foi dispensado?

    Acompanhando as normas do CGIBS, da Receita e dos fiscos estaduais e municipais. A dispensa vem por ato oficial — é o seu sinal para parar de entregar.

    Ficou com dúvida?

    Sou Rafael Machado, contador (CRC 1SP 263122/O), em Taubaté/SP. Escrevo aqui para descomplicar contabilidade, tributos, gestão e IA para contadores e empresas. Se quiser trocar uma ideia sobre o seu caso, fale comigo.

    Falar no WhatsAppSobre o autor

    Fontes

    • Lei Complementar nº 214/2025.
    • Comitê Gestor do IBS — cgibs.gov.br; Receita Federal — gov.br/receitafederal.

    Conteúdo informativo, atualizado em julho de 2026. Não substitui a orientação de um contador ou advogado para o seu caso concreto. As datas e alíquotas da reforma tributária ainda podem mudar — confirme sempre na fonte oficial antes de decidir.

  • Como orientar seu cliente sobre a reforma (guia do contador)

    Como orientar seu cliente sobre a reforma (guia do contador)

    Orientar o cliente sobre a reforma tributária é, hoje, uma das maiores oportunidades de valor do contador — e uma das que mais fideliza. O segredo não é despejar siglas (CBS, IBS, split payment), e sim traduzir tudo em três perguntas que o empresário realmente tem: o que muda no meu negócio, quando muda e o que eu faço agora. Este guia dá um método, um roteiro de reunião e as mensagens prontas para você conduzir essa conversa com qualquer cliente.

    Importante
    As alíquotas de referência do IBS e da CBS ainda estão sendo calibradas e podem mudar ao longo da transição. Ao orientar o cliente, trate os números como estimativas de planejamento e cite sempre a fonte oficial.

    O empresário não quer uma aula de direito tributário. Ele quer segurança: saber que o contador dele está no comando e que o negócio não será pego de surpresa. Quem consegue passar essa segurança se diferencia de imediato — e a reforma é o melhor pretexto para isso em anos. Veja como fazer.

    O erro que quase todo mundo comete

    O erro clássico é começar pela técnica: explicar o que é IVA dual, não cumulatividade, alíquota de referência. O cliente desliga. A conversa que funciona começa pelo negócio dele e usa a técnica só como apoio.

    A regra da tradução: para cada conceito da reforma, tenha pronta a frase “na prática, para você, isso significa…”. Se você não consegue completar essa frase, o cliente também não vai entender.

    As três perguntas que o cliente realmente tem

    Organize toda orientação em torno destas três perguntas:

    Pergunta do clienteO que responder
    O que muda no meu negócio?Nota fiscal, preço (por causa do crédito) e caixa (por causa do split payment)
    Quando muda?Campos na nota já em 2026; cobrança a partir de 2027; pleno em 2033
    O que eu faço agora?Atualizar emissor, simular preço, preparar o caixa — com o contador conduzindo

    Se o cliente sair da reunião sabendo responder essas três, você fez um ótimo trabalho.

    Passo a passo para conduzir a orientação

    Passo 1 — Segmente a carteira por impacto

    Nem todo cliente sente a reforma igual. Comércio e indústria tendem a ganhar com o crédito; serviços com poucos insumos podem sentir aumento; o Simples tem a decisão da opção. Comece pelos de maior impacto e prepare a mensagem certa para cada perfil.

    Passo 2 — Prepare um diagnóstico simples de cada cliente

    Antes da reunião, levante o essencial: perfil (comércio/serviço/indústria/Simples), principais fornecedores e como recebe. Com isso, você personaliza a conversa em vez de dar um recado genérico.

    Passo 3 — Faça a reunião das três perguntas

    Conduza a reunião pelas três perguntas acima, sempre traduzindo para o negócio dele. Use exemplos concretos (“o seu preço vai depender mais dos fornecedores que geram crédito”). Se ajudar, apoie-se em materiais como CBS e IBS: o que são.

    Passo 4 — Entregue um plano de ação com prazos

    Termine com um plano curto e datado: o que o escritório vai fazer, o que o cliente precisa providenciar e quando. Plano no papel transforma a conversa em compromisso e mostra que você está no comando.

    Passo 5 — Mantenha a comunicação viva

    A reforma é um processo de anos. Um informe curto de tempos em tempos (mudou uma data, saiu uma regra) mantém você como a referência do cliente no assunto. Consistência vale mais que um único e-mail longo.

    Mensagens prontas para começar

    Para não travar na primeira comunicação, adapte estes modelos:

    • Abertura: “Estou revisando o impacto da reforma tributária no seu negócio para você não ser pego de surpresa. Podemos conversar 30 minutos nas próximas semanas?”
    • Tranquilizadora: “A reforma muda bastante coisa, mas o plano já está sendo montado aqui. Vou te guiar em cada passo.”
    • De ação: “O primeiro passo é garantir que sua nota fiscal sai com os novos campos. Já estamos cuidando disso; preciso que você confirme o acesso ao sistema.”

    Se quiser acelerar a redação dessas mensagens, a IA ajuda — veja 5 prompts de IA para o contador.

    Erros que custam caro

    • Começar pela técnica. Comece pelo negócio do cliente; a técnica é apoio.
    • Dar o mesmo recado para todos. Segmente por perfil e impacto.
    • Assustar sem oferecer plano. Todo alerta precisa vir com o próximo passo.
    • Sumir depois da primeira conversa. A reforma é longa; a comunicação precisa ser contínua.
    • Prometer números fechados. Alíquota de referência ainda é estimativa; seja honesto sobre isso.

    Checklist da orientação ao cliente

    • Carteira segmentada por impacto da reforma.
    • Diagnóstico simples preparado por cliente.
    • Reunião conduzida pelas três perguntas.
    • Plano de ação datado entregue.
    • Rotina de comunicação contínua definida.

    Perguntas frequentes

    Por onde começo a orientar a carteira?

    Pelos clientes de maior impacto: comércio e indústria com muito crédito, serviços que podem sofrer aumento e optantes do Simples que precisam decidir a opção.

    Como explico sem assustar?

    Reconheça que muda bastante, mas mostre que há plano e que você conduz cada passo. Segurança vem do plano, não da minimização do problema.

    Preciso saber tudo da reforma para orientar?

    Você precisa dominar as três perguntas e saber onde confirmar o resto. Ninguém sabe tudo — a regulamentação ainda está saindo. Honestidade sobre o que ainda não está fechado passa mais credibilidade do que fingir certeza.

    Isso justifica reajuste de honorários?

    O trabalho de transição é real e recorrente. Vale avaliar o reajuste com base no valor entregue. Veja reajuste de honorários.

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    Sou Rafael Machado, contador (CRC 1SP 263122/O), em Taubaté/SP. Escrevo aqui para descomplicar contabilidade, tributos, gestão e IA para contadores e empresas. Se quiser trocar uma ideia sobre o seu caso, fale comigo.

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    Fontes

    • Lei Complementar nº 214/2025.
    • Comitê Gestor do IBS — cgibs.gov.br; Receita Federal — gov.br/receitafederal.

    Conteúdo informativo, atualizado em julho de 2026. Não substitui a orientação de um contador ou advogado para o seu caso concreto. As datas e alíquotas da reforma tributária ainda podem mudar — confirme sempre na fonte oficial antes de decidir.

  • Plano de contas na reforma: o que muda e como se preparar

    Plano de contas na reforma: o que muda e como se preparar

    Com a reforma tributária, o plano de contas precisa ganhar contas próprias para o IBS e a CBS — tanto os valores a recolher (débitos) quanto os créditos a recuperar — e conviver, durante a transição, com as contas antigas de ICMS, ISS, PIS e Cofins. Quem não organiza isso agora perde crédito, erra apuração e sofre no fechamento. A boa notícia: é um ajuste estruturado e dá para deixar pronto ainda em 2026.

    Importante
    Crie contas separadas para IBS, CBS e Imposto Seletivo, além de contas de crédito a recuperar. Ajustar o plano de contas agora evita retrabalho quando a cobrança começar em 2027.

    O plano de contas é o esqueleto da contabilidade. Se ele não comporta os novos tributos com clareza, todo o resto trava: o crédito se perde, a conciliação vira quebra-cabeça e o relatório para o cliente fica confuso. Este guia mostra o que muda, quais contas criar e como fazer a transição sem bagunçar o histórico.

    O que muda no plano de contas

    A mudança tem três camadas. Primeiro, entram contas novas para IBS e CBS. Segundo, essas contas precisam separar débito (o que a empresa deve) de crédito (o que ela tem a recuperar). Terceiro, durante a transição (2026 a 2032), as contas novas convivem com as antigas — nada é excluído de imediato.

    A ideia central: não substitua as contas antigas de uma vez. Some as novas e deixe as duas famílias convivendo até que ICMS, ISS, PIS e Cofins sejam extintos (2033). A transição é dupla por natureza.

    Quais contas criar

    Um desenho enxuto e seguro para começar, no ativo e no passivo:

    GrupoConta sugeridaPara que serve
    Ativo (a recuperar)IBS a recuperarCréditos de IBS das compras
    Ativo (a recuperar)CBS a recuperarCréditos de CBS das compras
    Passivo (a recolher)IBS a recolherDébito de IBS das vendas
    Passivo (a recolher)CBS a recolherDébito de CBS das vendas
    ResultadoDespesa com Imposto SeletivoIS, quando incidir
    TransiçãoContas antigas (ICMS/ISS/PIS/Cofins)Mantidas até a extinção

    Conforme a necessidade, desdobre em subcontas (por exemplo, crédito sobre ativo imobilizado), mas comece simples. Estrutura enxuta é mais fácil de manter certa.

    Passo a passo para preparar o plano de contas

    Passo 1 — Faça um inventário do plano atual

    Liste as contas de tributos sobre consumo que você usa hoje. Esse retrato mostra onde as novas contas se encaixam e evita duplicidade.

    Passo 2 — Crie as contas de IBS e CBS (débito e crédito)

    Adicione as contas de a recolher e a recuperar para cada tributo novo. Separar débito de crédito desde a origem é o que garante que você enxergue o imposto líquido com clareza.

    Passo 3 — Defina as regras de lançamento

    Padronize: compra tributada credita “IBS/CBS a recuperar”; venda debita “IBS/CBS a recolher”. Escreva a regra para a equipe seguir igual todo dia — inconsistência de lançamento é a maior fonte de erro de apuração.

    Passo 4 — Teste com lançamentos do ano-teste

    2026 é ano-teste: use os valores informativos que aparecem nas notas para fazer lançamentos de treino e conferir se as contas fecham. Erro descoberto agora não custa nada. Veja ano-teste de IBS e CBS.

    Passo 5 — Documente e treine a equipe

    Registre o novo plano e as regras num guia curto e treine quem lança. Durante a transição, a equipe precisa saber lidar com as duas famílias de contas ao mesmo tempo.

    A conciliação: onde o crédito se ganha ou se perde

    Ter as contas certas não basta; é a conciliação mensal que garante o crédito. Feche todo mês confrontando “a recuperar” com “a recolher” e com os documentos fiscais. É aí que aparece crédito esquecido, destaque errado e lançamento fora do padrão — antes de virar prejuízo acumulado.

    Erros que custam caro

    • Não separar crédito de débito. Sem isso, o imposto líquido some e o crédito se perde.
    • Excluir as contas antigas cedo demais. Elas convivem com as novas até 2033.
    • Deixar regra de lançamento na cabeça de uma pessoa. Padronize por escrito.
    • Pular a conciliação mensal. Crédito não conciliado raramente é recuperado.
    • Não usar o ano-teste para treinar. É a chance de errar sem custo.

    Checklist do plano de contas

    • Inventário do plano atual de tributos sobre consumo.
    • Contas de IBS e CBS criadas (a recolher e a recuperar).
    • Regras de lançamento padronizadas por escrito.
    • Lançamentos de teste feitos com dados do ano-teste.
    • Conciliação mensal de crédito x débito implantada.
    • Equipe treinada nas duas famílias de contas.

    Perguntas frequentes

    Preciso refazer o plano de contas do zero?

    Não. Você adiciona as contas de IBS e CBS ao plano existente e mantém as antigas durante a transição. É soma, não substituição.

    Quando posso excluir as contas de ICMS, ISS, PIS e Cofins?

    Só quando esses tributos forem extintos, no modelo pleno em 2033. Até lá, elas convivem com as novas.

    Bens do ativo geram crédito? Preciso de conta para isso?

    Em regra, sim, quando usados na atividade. Vale criar subconta específica de crédito sobre ativo para controlar e não perder esse aproveitamento.

    Como evito perder crédito?

    Com contas de “a recuperar” bem definidas e conciliação mensal. O crédito se perde quando não é lançado corretamente ou não é conferido a tempo.

    Ficou com dúvida?

    Sou Rafael Machado, contador (CRC 1SP 263122/O), em Taubaté/SP. Escrevo aqui para descomplicar contabilidade, tributos, gestão e IA para contadores e empresas. Se quiser trocar uma ideia sobre o seu caso, fale comigo.

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    Fontes

    • Lei Complementar nº 214/2025, art. 47 (não cumulatividade e crédito).
    • Comitê Gestor do IBS — cgibs.gov.br; Receita Federal — gov.br/receitafederal.

    Conteúdo informativo, atualizado em julho de 2026. Não substitui a orientação de um contador ou advogado para o seu caso concreto. As datas e alíquotas da reforma tributária ainda podem mudar — confirme sempre na fonte oficial antes de decidir.

  • Checklist de virada 2026 para 2027: o que ajustar nos clientes

    Checklist de virada 2026 para 2027: o que ajustar nos clientes

    A virada de 2026 para 2027 é o momento mais importante da reforma tributária para o contador: é quando a CBS entra cheia, começam o Imposto Seletivo e o split payment, e o escritório precisa ter cada cliente preparado. Este é um checklist prático, cliente por cliente, do que revisar até dezembro de 2026 — do emissor de notas ao fluxo de caixa — para que ninguém seja pego de surpresa em janeiro.

    Importante
    2026 é ano-teste (1%, sem recolher) e em 2027 a CBS entra cheia. Use este checklist ainda em 2026 para chegar em 2027 com sistemas, cadastros e preços já ajustados.

    Para o escritório contábil, essa virada é ao mesmo tempo risco e oportunidade. Risco, porque um cliente despreparado vira urgência (e, às vezes, culpa). Oportunidade, porque o contador que chega em 2027 com todos os clientes ajustados mostra um valor que nenhuma tabela de honorários explica sozinha. Use este roteiro para organizar a carteira.

    Como usar este checklist

    Aplique cliente por cliente, começando pelos de maior faturamento e pelos que mais aproveitam ou geram crédito. Marque cada item como “ok”, “pendente” ou “não se aplica”. O objetivo é chegar em dezembro de 2026 sem nenhum “pendente” na carteira.

    1. Emissão de notas — o mais urgente

    A primeira frente tem prazo curto: os campos de IBS/CBS já são obrigatórios desde 3 de agosto de 2026. Confirme, para cada cliente, que o emissor foi atualizado e que notas de teste saíram sem erro. Sem isso, o cliente para de faturar. Detalhes em IBS e CBS na NF-e a partir de 3 de agosto.

    O que checar

    • Emissor/ERP atualizado para o layout novo.
    • Notas de teste emitidas nos cenários que o cliente usa.
    • Cadastro de produtos e serviços revisado (evita rejeição).
    • Equipe do cliente orientada a reconhecer erro antes de transmitir.

    2. Precificação e créditos

    Com a CBS cheia em 2027 e o sistema de crédito valendo, o preço de cada cliente pode mudar. Rode a simulação e identifique quem ganha e quem aperta a margem.

    O que checar

    • Precificação simulada nos dois cenários (atual x IVA dual). Veja precificação na reforma.
    • Fornecedores do cliente mapeados por crédito gerado (cheio x limitado).
    • Clientes de serviços com poucos insumos sinalizados (maior risco de aumento de carga).
    • Rotina de aproveitamento de crédito definida. Veja créditos de IBS e CBS na prática.

    3. Fluxo de caixa e split payment

    O split payment começa em 2027 e muda o momento do caixa, não o lucro. Cada cliente precisa saber quanto do giro dele dependia do imposto a recolher.

    O que checar

    • Cálculo do giro que dependia de imposto a recolher (12 meses).
    • Reserva de giro em construção ao longo de 2026.
    • Projeção de caixa de 2027 refeita com a retenção. Veja fluxo de caixa e split payment.

    4. Simples Nacional — a decisão da opção

    Clientes do Simples têm uma decisão nova: apurar IBS/CBS por dentro ou por fora do DAS. A janela é prevista para setembro de 2026, com efeito em 2027 — não deixe passar.

    O que checar

    • Faturamento do cliente separado por tipo (PJ que credita x consumidor final).
    • Simulação dos dois regimes feita. Veja Simples na reforma.
    • Data da janela de opção marcada por cliente.

    5. Contabilidade e obrigações

    Durante a transição, dois sistemas convivem. A contabilidade precisa estar pronta para operar nos dois.

    O que checar

    6. Comunicação com o cliente

    Nada gera mais confiança do que o cliente saber que o contador está à frente. Comunique o plano antes que ele pergunte.

    O que checar

    Erros que custam caro na virada

    • Tratar todos os clientes igual. Comece pelos de maior impacto e crédito.
    • Deixar a emissão de notas para o fim. É a frente com prazo já vencido (03/08).
    • Esquecer a janela do Simples. Perder o prazo prende o cliente a um regime que pode não ser o melhor.
    • Não comunicar o cliente. Silêncio na virada vira desconfiança.
    • Não treinar a própria equipe. O escritório também precisa operar nos dois sistemas.

    Perguntas frequentes

    Por onde começo a virada na carteira?

    Pela emissão de notas (prazo já vigente) e pelos clientes de maior faturamento e maior uso de crédito. É onde o risco e o impacto são maiores.

    Preciso mesmo simular preço de cada cliente?

    Dos principais, sim. É o entregável que mostra valor e evita surpresa de margem em 2027, sobretudo para clientes de serviços.

    E os clientes do Simples?

    Precisam decidir sobre apurar IBS/CBS por dentro ou por fora do DAS, dentro da janela prevista para setembro de 2026. Simule os dois cenários antes.

    Devo reajustar honorários por causa da reforma?

    Vale avaliar: o trabalho da transição é real e recorrente. O reajuste deve ser justificado pelo valor entregue, não apenas pela mudança.

    Ficou com dúvida?

    Sou Rafael Machado, contador (CRC 1SP 263122/O), em Taubaté/SP. Escrevo aqui para descomplicar contabilidade, tributos, gestão e IA para contadores e empresas. Se quiser trocar uma ideia sobre o seu caso, fale comigo.

    Falar no WhatsAppSobre o autor

    Fontes

    • Lei Complementar nº 214/2025.
    • Comitê Gestor do IBS — cgibs.gov.br; Receita Federal — gov.br/receitafederal.

    Conteúdo informativo, atualizado em julho de 2026. Não substitui a orientação de um contador ou advogado para o seu caso concreto. As datas e alíquotas da reforma tributária ainda podem mudar — confirme sempre na fonte oficial antes de decidir.