A virada de 2026 para 2027 é o momento mais importante da reforma tributária para o contador: é quando a CBS entra cheia, começam o Imposto Seletivo e o split payment, e o escritório precisa ter cada cliente preparado. Este é um checklist prático, cliente por cliente, do que revisar até dezembro de 2026 — do emissor de notas ao fluxo de caixa — para que ninguém seja pego de surpresa em janeiro.
2026 é ano-teste (1%, sem recolher) e em 2027 a CBS entra cheia. Use este checklist ainda em 2026 para chegar em 2027 com sistemas, cadastros e preços já ajustados.
Para o escritório contábil, essa virada é ao mesmo tempo risco e oportunidade. Risco, porque um cliente despreparado vira urgência (e, às vezes, culpa). Oportunidade, porque o contador que chega em 2027 com todos os clientes ajustados mostra um valor que nenhuma tabela de honorários explica sozinha. Use este roteiro para organizar a carteira.
Como usar este checklist
Aplique cliente por cliente, começando pelos de maior faturamento e pelos que mais aproveitam ou geram crédito. Marque cada item como “ok”, “pendente” ou “não se aplica”. O objetivo é chegar em dezembro de 2026 sem nenhum “pendente” na carteira.
1. Emissão de notas — o mais urgente
A primeira frente tem prazo curto: os campos de IBS/CBS já são obrigatórios desde 3 de agosto de 2026. Confirme, para cada cliente, que o emissor foi atualizado e que notas de teste saíram sem erro. Sem isso, o cliente para de faturar. Detalhes em IBS e CBS na NF-e a partir de 3 de agosto.
O que checar
- Emissor/ERP atualizado para o layout novo.
- Notas de teste emitidas nos cenários que o cliente usa.
- Cadastro de produtos e serviços revisado (evita rejeição).
- Equipe do cliente orientada a reconhecer erro antes de transmitir.
2. Precificação e créditos
Com a CBS cheia em 2027 e o sistema de crédito valendo, o preço de cada cliente pode mudar. Rode a simulação e identifique quem ganha e quem aperta a margem.
O que checar
- Precificação simulada nos dois cenários (atual x IVA dual). Veja precificação na reforma.
- Fornecedores do cliente mapeados por crédito gerado (cheio x limitado).
- Clientes de serviços com poucos insumos sinalizados (maior risco de aumento de carga).
- Rotina de aproveitamento de crédito definida. Veja créditos de IBS e CBS na prática.
3. Fluxo de caixa e split payment
O split payment começa em 2027 e muda o momento do caixa, não o lucro. Cada cliente precisa saber quanto do giro dele dependia do imposto a recolher.
O que checar
- Cálculo do giro que dependia de imposto a recolher (12 meses).
- Reserva de giro em construção ao longo de 2026.
- Projeção de caixa de 2027 refeita com a retenção. Veja fluxo de caixa e split payment.
4. Simples Nacional — a decisão da opção
Clientes do Simples têm uma decisão nova: apurar IBS/CBS por dentro ou por fora do DAS. A janela é prevista para setembro de 2026, com efeito em 2027 — não deixe passar.
O que checar
- Faturamento do cliente separado por tipo (PJ que credita x consumidor final).
- Simulação dos dois regimes feita. Veja Simples na reforma.
- Data da janela de opção marcada por cliente.
5. Contabilidade e obrigações
Durante a transição, dois sistemas convivem. A contabilidade precisa estar pronta para operar nos dois.
O que checar
- Plano de contas ajustado para IBS/CBS. Veja plano de contas na reforma.
- Mapeamento das obrigações acessórias que ficam e que saem. Veja obrigações acessórias na transição.
- Equipe do escritório treinada para ler documentos híbridos.
6. Comunicação com o cliente
Nada gera mais confiança do que o cliente saber que o contador está à frente. Comunique o plano antes que ele pergunte.
O que checar
- Cada cliente informado sobre o que muda no negócio dele. Veja como orientar seu cliente.
- Reunião de virada agendada com os principais clientes.
- Eventual reajuste de honorários avaliado. Veja reajuste de honorários.
Erros que custam caro na virada
- Tratar todos os clientes igual. Comece pelos de maior impacto e crédito.
- Deixar a emissão de notas para o fim. É a frente com prazo já vencido (03/08).
- Esquecer a janela do Simples. Perder o prazo prende o cliente a um regime que pode não ser o melhor.
- Não comunicar o cliente. Silêncio na virada vira desconfiança.
- Não treinar a própria equipe. O escritório também precisa operar nos dois sistemas.
Perguntas frequentes
Por onde começo a virada na carteira?
Pela emissão de notas (prazo já vigente) e pelos clientes de maior faturamento e maior uso de crédito. É onde o risco e o impacto são maiores.
Preciso mesmo simular preço de cada cliente?
Dos principais, sim. É o entregável que mostra valor e evita surpresa de margem em 2027, sobretudo para clientes de serviços.
E os clientes do Simples?
Precisam decidir sobre apurar IBS/CBS por dentro ou por fora do DAS, dentro da janela prevista para setembro de 2026. Simule os dois cenários antes.
Devo reajustar honorários por causa da reforma?
Vale avaliar: o trabalho da transição é real e recorrente. O reajuste deve ser justificado pelo valor entregue, não apenas pela mudança.
Sou Rafael Machado, contador (CRC 1SP 263122/O), em Taubaté/SP. Escrevo aqui para descomplicar contabilidade, tributos, gestão e IA para contadores e empresas. Se quiser trocar uma ideia sobre o seu caso, fale comigo.
Falar no WhatsAppSobre o autorFontes
- Lei Complementar nº 214/2025.
- Comitê Gestor do IBS — cgibs.gov.br; Receita Federal — gov.br/receitafederal.
Conteúdo informativo, atualizado em julho de 2026. Não substitui a orientação de um contador ou advogado para o seu caso concreto. As datas e alíquotas da reforma tributária ainda podem mudar — confirme sempre na fonte oficial antes de decidir.

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