Viagem vai ficar mais cara? Reforma Tributária, passagens aéreas e turismo em 2026

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Viajar de avião vai ficar mais caro com a Reforma Tributária? Estudos do setor e as próprias companhias aéreas projetam passagens de 16% a mais de 20% mais caras — enquanto o Ministério da Fazenda contesta a magnitude desses números. Neste guia eu explico, sem alarmismo e sem minimizar, por que existe esse debate, o que realmente muda e o que o viajante e as empresas de turismo podem esperar.

Por que se fala em aumento das passagens

O transporte aéreo tem hoje uma tributação peculiar. O principal insumo — o querosene de aviação (QAV) — tem tratamento específico, e boa parte das operações conta com cargas efetivas relativamente baixas em alguns tributos. No novo sistema, o setor passa a recolher IBS + CBS pela alíquota padrão, estimada em torno de 26,5% (percentual ainda em ajuste).

A tese dos estudos e das companhias é simples: se a alíquota cheia for maior do que a carga efetiva atual do setor, a diferença tende a aparecer no preço do bilhete. Daí as projeções que circularam na imprensa:

  • Estudos estimam passagens cerca de 16% a 17% mais caras.
  • Entidades de companhias aéreas chegam a projetar altas superiores a 20%.
  • Há alerta de possível redução no número de voos e de viagens em cenários mais pessimistas.

O outro lado: o que diz o governo

O Ministério da Fazenda contesta a magnitude dessas estimativas. Os principais argumentos do governo são:

  • O setor passará a ter crédito amplo de IBS/CBS sobre seus custos (combustível, manutenção, arrendamento de aeronaves, serviços), o que reduz a carga líquida.
  • A não cumulatividade elimina tributos “escondidos” na cadeia que hoje encarecem o serviço.
  • Parte das projeções, segundo o governo, não considera corretamente esses créditos.

O ponto honesto

A verdade é que o saldo líquido depende de como a regulamentação tratar o querosene de aviação e os créditos. Por isso convivem projeções de alta relevante (setor) e de impacto menor (governo). Quem vende viagem precisa trabalhar com cenários, não com um número único.

O que muda para quem vende viagem

NegócioHojeNo novo sistema
Companhia aéreaQAV e cargas específicasIBS + CBS padrão, com crédito amplo de custos
Agência de viagensISS sobre a comissão/serviçoIBS + CBS sobre o serviço de intermediação
Operadora de turismoRegimes específicos e ISSIBS + CBS com crédito de insumos
Transporte rodoviário de passageirosICMS/ISS conforme o casoParte com alíquota reduzida (transporte público coletivo)

Agência não é companhia aérea

O impacto numa agência de viagens é diferente do impacto na companhia aérea. A agência costuma tributar o serviço de intermediação (comissão); a companhia tributa a passagem. Não misture os dois ao estimar o efeito no seu negócio.

Exemplo numérico simplificado (agência de viagens)

Uma agência que recebe R$ 10.000 de comissões no mês. Comparando o ISS atual (exemplo de 5%) com a alíquota padrão do novo sistema, antes de considerar créditos:

CenárioAlíquota (exemplo)Tributo sobre R$ 10.000
Hoje (ISS ~5%)5%R$ 500
Novo sistema (padrão ~26,5%, sem crédito)26,5%R$ 2.650
Novo sistema após créditos de insumos (hipótese)efetiva menordepende dos custos creditáveis

Parece assustador na primeira linha, mas o crédito amplo e a eventual mudança de regime (inclusive Simples Nacional) podem alterar bastante esse resultado. É exatamente essa conta que o contador precisa fazer para cada empresa.

Calendário: quando isso começa a pesar

  1. 2026: preparação e regulamentação. Nada muda no preço ainda.
  2. 2027: início da CBS (federal) e do Imposto Seletivo.
  3. 2029 a 2032: transição do IBS, substituindo ICMS e ISS.
  4. 2033: sistema plenamente em vigor.

Erros comuns ao analisar o tema

  • Repetir “a passagem vai subir 20%” como fato — é projeção de uma das partes, contestada pelo governo.
  • Ignorar o crédito amplo, que pode reduzir a carga líquida.
  • Tratar agência e companhia aérea como se tivessem o mesmo impacto.
  • Reajustar pacotes agora com base em alíquota ainda não confirmada.
  • Deixar para analisar o regime tributário só quando a cobrança começar.

Checklist para empresas de turismo em 2026

  1. Separe receita de serviço próprio (comissão) de repasses de terceiros.
  2. Mapeie todos os custos que gerarão crédito no novo sistema.
  3. Monte cenários de alíquota efetiva (otimista e conservador).
  4. Reveja contratos e políticas de reajuste com fornecedores.
  5. Acompanhe a regulamentação do querosene de aviação e dos créditos.
  6. Converse com seu contador antes de repassar qualquer valor ao cliente.

Perguntas frequentes

A passagem aérea vai mesmo ficar 20% mais cara?

É uma projeção de companhias aéreas; estudos falam em 16% a 17%. O Ministério da Fazenda contesta esses números, lembrando que o setor passará a ter crédito amplo. O valor final dependerá da regulamentação, especialmente do tratamento do querosene de aviação.

Agência de viagens vai pagar mais imposto?

A agência passa a recolher IBS e CBS sobre o serviço de intermediação, no lugar do ISS. A alíquota nominal é maior, mas o crédito de insumos e uma eventual mudança de regime podem reduzir a carga líquida. É preciso simular caso a caso.

Pacote de turismo terá alíquota reduzida?

Até o momento, pacotes e serviços turísticos em geral seguem a alíquota padrão. Há atividades específicas (como transporte público coletivo) com redução, mas não um benefício amplo para turismo. Acompanhe a regulamentação.

Quando o preço da viagem deve começar a mudar?

O efeito tende a aparecer a partir de 2027, com a CBS, e durante a transição do IBS (2029 a 2033). Em 2026 o período é de preparação.

O que o viajante pode fazer?

No curto prazo, planejar viagens com antecedência e acompanhar o debate. Para empresas do setor, o momento é de modelar cenários e revisar preços e regime tributário com apoio contábil.

Trabalha com turismo, agência de viagens ou transporte?

Sou Rafael Machado, contador e sócio-fundador da NEWCONT. Ajudo empresas a entender o impacto do IBS e da CBS no seu preço e no seu fluxo de caixa.

Fontes e para se aprofundar

  • Estudos setoriais e notas de entidades de companhias aéreas sobre o impacto da Reforma nas passagens (2026).
  • Esclarecimentos do Ministério da Fazenda sobre reforma tributária e preço das passagens aéreas.
  • Emenda Constitucional 132/2023 e leis complementares da Reforma Tributária.

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação contábil ou jurídica individualizada. As estimativas citadas são de estudos e entidades do setor e ainda há debate sobre os números. As regras da Reforma Tributária seguem em regulamentação. Consulte um profissional antes de decidir.

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