Cigarro vai ficar mais caro? O Imposto Seletivo sobre o tabaco na Reforma Tributária

Cigarro já é um dos produtos mais tributados do Brasil — e com a Reforma Tributária isso não vai mudar; se algo, a tendência é pesar ainda mais. O motivo é o Imposto Seletivo, o chamado “imposto do pecado”, criado justamente para desestimular o consumo de produtos nocivos à saúde. Neste guia eu explico como o tabaco será tributado, o que já está definido e o que ainda depende de regulamentação.

O que é o Imposto Seletivo e por que atinge o cigarro

O Imposto Seletivo (IS) é um tributo federal criado pela Emenda Constitucional 132/2023 para incidir sobre bens prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. O cigarro e os demais produtos de tabaco estão entre os principais alvos, ao lado de bebidas alcoólicas. A lógica é de saúde pública: tornar o produto mais caro para reduzir o consumo.

Em uma frase

O Imposto Seletivo é cobrado além do IBS e da CBS sobre o cigarro, uma única vez na cadeia, com o objetivo declarado de desestimular o consumo.

Como o cigarro é tributado hoje

O tabaco já carrega uma das maiores cargas tributárias do país. Hoje incidem IPI (com regras específicas para o setor), ICMS, PIS e Cofins, e boa parte do preço final do maço é imposto. A Reforma reorganiza essa tributação, substituindo esses tributos por IBS, CBS e Imposto Seletivo.

Como vai funcionar com a Reforma

  • IBS e CBS na alíquota padrão (estimada em torno de 26,5%, ainda em ajuste);
  • Imposto Seletivo sobre o tabaco, somando-se aos dois;
  • Cobrança monofásica: uma única vez na cadeia (produção/importação);
  • Sem crédito: o Seletivo entra no custo, não gera crédito na revenda;
  • Não incide sobre exportação.

Alíquotas ainda não fechadas

A carga exata do Imposto Seletivo sobre o tabaco depende de lei complementar e regulamentação em tramitação. Há estimativas elevadas circulando, mas nenhuma tabela definitiva oficial ainda. O setor deve trabalhar com cenários.

O que muda para o varejo e o atacado

Quem vende cigarro (conveniências, mercados, distribuidoras) precisa entender que o Seletivo será cobrado na origem e não gera crédito. Ou seja, ele compõe o custo do produto, e o controle de margem e precificação terá de considerar isso. Para o varejo, muda a forma de calcular, mas o cigarro continua sendo um item de giro com carga alta.

Exemplo didático

Números hipotéticos, só para ilustrar o mecanismo sobre um maço:

ItemValor (exemplo)
Preço de produçãoR$ 4,00
Imposto Seletivo (hipótese)R$ 6,00
Base para IBS + CBSR$ 10,00
IBS + CBS (~26,5%)R$ 2,65
Carga de tributos no exemploR$ 8,65

O número exato não é o ponto; o ponto é que o Seletivo entra antes e ainda compõe a base do IBS/CBS, produzindo um efeito em cascata que eleva o preço final.

Calendário

  1. 2026: preparação e regulamentação; nada muda ainda.
  2. 2027: início da CBS e do Imposto Seletivo; IPI praticamente zerado (exceto Zona Franca).
  3. 2029 a 2032: transição do IBS.
  4. 2033: sistema pleno.

Erros comuns

  • Achar que o Seletivo substitui o IBS/CBS — ele soma.
  • Supor que haverá crédito do Seletivo na revenda — não há.
  • Reajustar preço com base em alíquota não confirmada.
  • Ignorar que o cigarro é um dos alvos prioritários do imposto.

Checklist para quem vende tabaco

  1. Mapeie o giro e a margem atual dos produtos de tabaco.
  2. Monte cenários de preço com diferentes alíquotas de Seletivo.
  3. Entenda em que ponto da cadeia o Seletivo será exigido.
  4. Acompanhe a regulamentação antes de reajustar.
  5. Converse com seu contador sobre o impacto no caixa.

Perguntas frequentes

O cigarro vai ficar mais caro com a Reforma?

A tendência é essa. O Imposto Seletivo foi criado para desestimular o consumo de produtos nocivos, e o tabaco é um dos alvos prioritários. Ele se soma ao IBS e à CBS. As alíquotas exatas ainda estão em definição.

O Imposto Seletivo substitui os impostos atuais do cigarro?

Não. Ele se soma ao novo sistema. IPI, ICMS, PIS e Cofins são substituídos por IBS e CBS; o Seletivo é um tributo adicional sobre produtos específicos, como o tabaco.

Quem vende cigarro aproveita crédito do Seletivo?

Não. Por ser monofásico e cobrado uma vez na cadeia, o Seletivo não gera crédito na revenda — ele entra no custo do produto.

Quando começa a cobrança?

A previsão é 2027, junto com a CBS. Em 2026 o período é de preparação e regulamentação.

Leia também

Tem conveniência, mercado ou distribuidora?

Sou Rafael Machado, contador e sócio-fundador da NEWCONT. Ajudo o varejo a entender o impacto do IBS, da CBS e do Imposto Seletivo na margem e no caixa.

Fontes e para se aprofundar

  • Emenda Constitucional 132/2023 e leis complementares — Imposto Seletivo sobre tabaco.
  • Ministério da Fazenda — notas técnicas sobre o Imposto Seletivo.
  • Análises setoriais sobre tributação do cigarro na Reforma (2026).

Conteúdo informativo, não substitui orientação contábil ou jurídica individualizada. As regras citadas podem mudar com a regulamentação. Consulte um profissional antes de decidir.

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