A pergunta que todo empresário faz sobre a reforma — “afinal, qual vai ser a alíquota?” — ainda não tem resposta oficial. E não terá por mais algumas semanas: a alíquota de referência do IBS e da CBS só será definida por resolução do Senado até 15 de dezembro de 2026. Até lá, o que circula são estimativas técnicas. Este texto explica por que a definição demora, o que já se sabe, e — o mais importante — como planejar 2027 sem ficar refém desse número.
Atualizado em setembro de 2026. Se você precisa decidir preço, contrato ou regime agora, a boa notícia é que dá para trabalhar por cenários com segurança.
Por que a alíquota ainda não saiu
Não é enrolação — a alíquota depende de um processo formal em etapas, definido em lei, para calibrar o número que mantém a arrecadação (a chamada “trava de referência”). Em resumo, o rito é:
| Etapa | Prazo | Quem faz |
|---|---|---|
| Envio da metodologia de cálculo ao TCU | 14 de setembro de 2026 | Receita Federal / Ministério da Fazenda |
| Validação dos cálculos e envio dos parâmetros ao Senado | até 30 de outubro de 2026 | TCU (Tribunal de Contas da União) |
| Votação e publicação da resolução com a alíquota oficial | até 15 de dezembro de 2026 | Senado Federal |
Ou seja: até o Senado votar, qualquer número é estimativa — inclusive os que aparecem na imprensa.
O que já se sabe (e o que é só estimativa)
As estimativas técnicas divulgadas publicamente giram, dependendo da metodologia e dos dados, em uma faixa aproximada de 25,45% a 27%, com alguns estudos acima de 27,5%. O teto de referência que virou “número símbolo” do debate foi 26,5%. Mas vale repetir, porque é o ponto que mais gera confusão:
Nenhuma estimativa é oficial
Os percentuais que você vê (26,5%, 27%, etc.) são projeções — nenhum substitui a resolução formal do Senado. A alíquota efetiva só é lei quando publicada. Use as estimativas para planejar em FAIXA, nunca como número fechado.
E 2026? A alíquota-teste de 0,9%
Um ponto que acalma muita gente: 2026 é ano de teste. Durante este ano, CBS e IBS rodam com uma alíquota simbólica (na casa de 0,9%, o componente de teste), sem impacto financeiro real — o objetivo é adaptar sistemas, notas e obrigações. A cobrança “para valer” começa a escalar a partir de 2027, quando a CBS entra em regime e a alíquota de referência definida passa a valer. Por isso a definição até dezembro é tão importante: ela baliza justamente o ano que vem.
Como planejar sem a alíquota fechada
Esperar o número exato para só então agir é o erro mais comum — e desnecessário. O que empresas organizadas fazem no lugar:
- Planeje em faixa, não em ponto. Rode sua projeção com, por exemplo, 25,5% / 26,5% / 27,5% e veja o impacto em cada cenário.
- Descubra sua carga LÍQUIDA, não a nominal. Com a não cumulatividade, o que pesa é o imposto depois dos créditos — muitas vezes bem menor que a alíquota cheia.
- Mapeie seus créditos agora. Isso independe da alíquota final e é o que mais reduz o imposto real.
- Deixe cláusulas de reequilíbrio nos contratos. Assim, quando a alíquota sair, o ajuste já está previsto.
- Decida o que TEM prazo (ex.: opção do Simples até 30/09) sem esperar a alíquota. Essas decisões não dependem do número final.
A mentalidade certa
A alíquota final muda a intensidade, não a direção. Quem mapeou créditos, ajustou precificação por cenários e organizou contratos vai só “encaixar o número” em dezembro — enquanto o concorrente que esperou vai correr atrás no apagar das luzes.
Erros comuns
- Travar decisões esperando a alíquota. Muita coisa (créditos, contratos, opção do Simples) independe dela.
- Tratar estimativa como número oficial. Só a resolução do Senado é definitiva.
- Planejar pela alíquota nominal. O que importa é a carga líquida, após créditos.
- Ignorar que 2026 é teste. O impacto real começa a escalar em 2027 — é para lá que o planejamento aponta.
- Não prever reequilíbrio em contratos longos. Sem cláusula, o ajuste da alíquota vira disputa.
Perguntas frequentes
Quando sai a alíquota oficial do IBS e da CBS?
A resolução do Senado com a alíquota de referência deve ser votada e publicada até 15 de dezembro de 2026, após a validação dos cálculos pelo TCU (até 30 de outubro) e o envio da metodologia pela Receita (feito em 14 de setembro).
Então o 26,5% não é oficial?
Não. 26,5% é o número de referência que balizou o debate, e as estimativas técnicas variam aproximadamente de 25,45% a mais de 27,5%. Nenhuma substitui a resolução formal do Senado.
Vou pagar essa alíquota já em 2026?
Não. 2026 é ano de teste, com alíquota simbólica (na casa de 0,9%) e sem impacto financeiro real. A cobrança escala a partir de 2027.
Devo esperar a alíquota para me planejar?
Não. Mapear créditos, ajustar precificação por cenários (faixa) e revisar contratos independe do número final. E decisões com prazo, como a opção do Simples até 30/09, precisam ser tomadas agora.
Quer planejar 2027 sem esperar a alíquota final?
A NEWCONT monta a sua projeção por cenários (faixa de alíquota) para você decidir preço e regime com segurança. Fale com o Rafael Machado e a equipe.
Fontes e para se aprofundar
- Emenda Constitucional nº 132/2023 e LC 214/2025 — regras da alíquota de referência e da transição.
- Processo de definição: Receita Federal (metodologia), TCU (validação) e Senado Federal (resolução até 15/12/2026).
- Estimativas técnicas divulgadas na imprensa especializada (faixa ~25,45%–27,5%) — não oficiais.
- Comitê Gestor do IBS e Ministério da Fazenda — publicações oficiais (acompanhar).
Conteúdo informativo e educativo, atualizado em setembro de 2026. Os percentuais citados são estimativas técnicas divulgadas publicamente e NÃO substituem a resolução oficial do Senado. Confirme sempre com seu contador e com as publicações oficiais.
Deixe um comentário