Quem ama uma comprinha na Shein, Shopee ou AliExpress quer saber: vai ficar mais caro com a reforma? A ideia central é simples — a compra de fora passa a pagar IBS e CBS igual às lojas brasileiras, para acabar com a vantagem do importado. Mas isso não é a mesma coisa que a “taxa das blusinhas”. Vamos separar tudo, com exemplo.
O que muda: importado paga como o nacional
Hoje o produto que vem de fora concorre em desvantagem tributária com a loja daqui. Com a reforma, toda compra internacional passa a ter IBS e CBS — a mesma lógica das empresas brasileiras. O objetivo declarado é isonomia: importado e nacional pagando o mesmo imposto sobre o consumo, com mais transparência sobre quanto do preço é tributo.
Não confunda: IBS/CBS × imposto de importação
São duas camadas diferentes, e muita gente mistura:
| Camada | O que é | Situação |
|---|---|---|
| Imposto de importação | A “taxa das blusinhas” sobre compras internacionais | Regra própria, à parte da reforma |
| ICMS (hoje) | ~17% que já incide na importação | É substituído pelo IBS |
| PIS/Cofins (hoje) | Tributos federais | São substituídos pela CBS |
Ou seja: o IBS/CBS entra no lugar de tributos que já existiam (ICMS, PIS/Cofins) — não é um imposto “a mais” empilhado do zero. O imposto de importação segue a sua própria discussão.
Exemplo: uma compra de R$ 100
Numa compra internacional, você já pagava ICMS (~17%) e, conforme o valor, imposto de importação. Com a reforma, o ICMS vira IBS e o PIS/Cofins vira CBS — recalculados pela nova alíquota, mas destacados de forma clara. O efeito no preço final depende de como a plataforma repassa e de como convive com o imposto de importação vigente; a tendência é a diferença que tornava o importado “imbatível” diminuir.
Quem recolhe: a plataforma vira responsável
Nas compras de fornecedor no exterior, a LC 214 (art. 22, I) coloca o marketplace como responsável por recolher o IBS/CBS. É por isso que Shein, Shopee e AliExpress passam a cobrar o imposto de forma mais organizada já na compra. Entenda essa mecânica em a reforma e o marketplace fiscal.
O foco da reforma aqui é igualar importado e nacional, não “punir” a comprinha. Para o consumidor, o ganho é transparência; para o comércio brasileiro, é concorrência mais justa.
E o meu bolso?
Depende do produto e da plataforma. Itens em que o importado era muito mais barato por causa da tributação menor tendem a encostar no preço do nacional. Já o processo de compra fica mais previsível (imposto destacado). Para o cenário geral de preços, veja vai ficar mais caro ou mais barato?.
Perguntas frequentes
Vai ter imposto novo na Shein?
O IBS e a CBS passam a incidir, mas no lugar de tributos que já existiam (ICMS, PIS/Cofins). A mudança maior é a equiparação com o comércio nacional.
Compras até US$ 50 ficam livres?
A isenção (ou não) de imposto de importação é outra discussão, à parte do IBS/CBS. As duas regras convivem.
Quem paga o imposto, eu ou a plataforma?
Nas compras de fornecedor no exterior, a plataforma recolhe (art. 22, I) — normalmente já embutido/destacado no preço.
Quando começa?
Segue a transição: CBS a partir de 2027 e IBS gradual. Veja o cronograma.
Ficou com dúvida?
Sou Rafael Machado, contador e sócio-fundador da NEWCONT (CRC 1SP 263122/O). Atendo empresas em todo o Brasil, com base em Taubaté/SP.
Falar no WhatsAppSobre o autorFontes
- Lei Complementar 214/2025 (IBS e CBS nas importações; art. 22).
- Declarações da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária (gov.br).
- Receita Federal — regras de importação e remessas.
Conteúdo informativo, agosto/2026 (LC 214/2025). Percentuais atuais de importação podem mudar; exemplos ilustrativos. Não substitui a análise de um contador.
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