Salão de beleza e barbearia na Reforma Tributária: vai pagar mais imposto?

Salão de beleza, barbearia, studio de estética e nail designer: o setor de beleza é feito de serviço e mão de obra — e é exatamente por isso que merece atenção na Reforma Tributária. Como a maior parte do custo é gente (profissionais, comissões), sobra pouco crédito de IBS e CBS para abater. Neste guia eu explico, sem susto, o que muda, por que o regime tributário faz toda a diferença e como se preparar.

Como o setor de beleza é tributado hoje

A maioria dos salões e estúdios opera no Simples Nacional, recolhendo tudo em uma guia única (o DAS), ou no Lucro Presumido, pagando ISS (2% a 5%), PIS/Cofins e IRPJ/CSLL. O ISS é municipal e varia conforme a cidade.

O que muda com a Reforma

O ISS e o PIS/Cofins são substituídos por IBS e CBS, com alíquota padrão estimada em torno de 26,5% (ainda em ajuste). O setor de beleza não está entre as atividades com redução de alíquota, e não se enquadra como profissão regulamentada intelectual (que teria desconto de 30%).

O ponto de atenção: pouco crédito

Serviço de beleza tem como maior custo a mão de obra — e mão de obra não gera crédito de IBS/CBS. Produtos, aluguel e energia geram algum crédito, mas costumam ser uma fração pequena do faturamento. Resultado: a alíquota cheia pesa, principalmente para quem está fora do Simples.

Por isso o regime importa tanto

Para um salão que atende consumidor final (quase todos), o cliente não aproveita crédito — então o que importa é a carga total. Nesse cenário, o Simples Nacional tende a continuar sendo a melhor opção para a maioria, porque mantém a lógica de guia única e carga mais previsível. Sair do Simples sem simular pode ser um erro caro.

Simples x fora do Simples: a diferença

SituaçãoComo tende a ficar
Salão no Simples NacionalGuia única; tende a seguir sendo vantajoso para B2C
Salão no Lucro PresumidoAlíquota cheia de IBS/CBS, com pouco crédito
Profissional autônomo (cadeira alugada)Avaliar MEI, Simples ou PJ conforme faturamento

Exemplo didático

Um salão com faturamento de R$ 40.000/mês, poucos insumos creditáveis. Comparando a tributação sobre consumo fora do Simples:

CenárioAlíquota (exemplo)Tributo sobre R$ 40 mil
Lucro Presumido hoje (ISS+PIS/Cofins)~8,65%~R$ 3.460
IBS/CBS padrão, pouco crédito~26,5% menos crédito baixobem maior

É esse salto que faz o Simples seguir atraente para o setor. Mas cada caso é um caso — só a simulação diz com segurança.

O lado bom: produtos e insumos geram crédito

Nem tudo é custo. Produtos de revenda (shampoo, cosméticos), materiais e energia passam a gerar crédito no novo sistema. Salões que também vendem produtos podem aproveitar melhor esse ponto — vale separar bem a receita de serviço da receita de revenda.

Erros comuns no setor de beleza

  • Sair do Simples sem simular o impacto do IBS/CBS.
  • Achar que a profissão de beleza tem a redução de 30% (não tem; ela é para profissões regulamentadas intelectuais).
  • Esquecer de mapear créditos de produtos e insumos.
  • Não separar receita de serviço da venda de produtos.
  • Reajustar preços antes de a regulamentação fechar.

Checklist para 2026

  1. Confirme seu regime atual e simule o novo cenário.
  2. Separe faturamento de serviço e de venda de produtos.
  3. Mapeie insumos que gerarão crédito.
  4. Avalie, com seu contador, se o Simples segue sendo o melhor.
  5. Acompanhe a regulamentação antes de mexer em preços.

Perguntas frequentes

Meu salão vai pagar mais imposto com a Reforma?

Depende do regime. No Simples Nacional, a tendência é manter uma carga previsível e vantajosa para quem atende consumidor final. Fora do Simples, a alíquota cheia de IBS/CBS pesa, porque o setor tem pouco crédito (mão de obra não credita).

Beleza tem a redução de 30% das profissões regulamentadas?

Não. A redução de 30% é para profissões regulamentadas de natureza intelectual (como advogados, médicos, engenheiros). Serviços de beleza, em regra, não entram nesse grupo.

Vale a pena sair do Simples?

Para a maioria dos salões que atende consumidor final, provavelmente não. Mas isso precisa ser simulado caso a caso, considerando faturamento, folha e venda de produtos.

Produtos vendidos no salão geram crédito?

A compra de produtos e insumos gera crédito de IBS/CBS no novo sistema. Por isso é importante separar bem a receita de serviço da receita de revenda de produtos.

Leia também

Tem salão, barbearia ou estúdio de estética?

Sou Rafael Machado, contador e sócio-fundador da NEWCONT. Ajudo o setor de beleza a escolher o melhor regime e a não pagar imposto a mais no novo sistema.

Fontes e para se aprofundar

  • Emenda Constitucional 132/2023 e Lei Complementar 214/2025 — IBS e CBS.
  • Regras do Simples Nacional (LC 123/2006).
  • Análises setoriais sobre serviços e crédito no novo sistema (2026).

Conteúdo informativo, não substitui orientação contábil ou jurídica individualizada. As regras citadas podem mudar com a regulamentação. Consulte um profissional antes de decidir.

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