Carro vai ficar mais caro ou mais barato com a reforma? E o combustível? A resposta honesta é: depende do tipo de veículo — e entra em cena um personagem novo, o Imposto Seletivo. Vamos ao que interessa pro seu bolso, sem promessa vazia.
Como o carro passa a ser tributado
O veículo passa a ter IBS e CBS no lugar dos tributos atuais (ICMS, IPI, PIS/Cofins), num sistema não cumulativo — ou seja, com crédito ao longo da cadeia. Até aí, mesma lógica dos demais produtos. A diferença está no Imposto Seletivo, que muda o preço conforme o perfil do carro.
O Imposto Seletivo e o critério ambiental
O Imposto Seletivo (o “imposto do pecado”) pode incidir sobre veículos com base em critérios ambientais — emissão de poluentes, eficiência energética e sustentabilidade. Na prática: carro mais poluente tende a pagar mais; elétrico e eficiente, menos. Entenda o tributo em o que é o Imposto Seletivo.
| Tipo de veículo | Tendência de carga |
|---|---|
| Elétrico / híbrido eficiente | Tende a pagar menos |
| Combustão mais poluente | Tende a pagar mais (Seletivo) |
| Veículo comercial da empresa | Gera crédito se usado na atividade |
E o combustível?
O combustível tem regime específico: cobrança monofásica, uma vez só na cadeia, por quantidade (litro) e não por percentual do preço. A ideia é simplificar e dar previsibilidade — o valor final na bomba depende da calibragem das alíquotas por litro. Para a empresa, o combustível usado na atividade tende a gerar crédito (veja o que gera crédito).
Exemplo: quem usa o carro na empresa
Um veículo da frota (entrega, representação) e o combustível dele passam a gerar crédito de IBS/CBS — abatendo o imposto devido. Já o carro particular do sócio não credita nada, porque é uso pessoal. A mesma despesa muda de lado conforme a finalidade.
Não dá para cravar “carro vai subir” ou “vai cair” de forma geral. O setor já é muito tributado hoje; a reforma redistribui conforme o perfil do veículo (mais limpo paga menos) e conforme o uso (empresa credita, pessoa física não).
Erros comuns
- Achar que todo carro vai encarecer — elétrico/eficiente tende ao contrário;
- Creditar combustível de veículo particular do sócio;
- Tratar o Seletivo como se fosse fixo — ele depende do perfil ambiental;
- Ignorar o crédito do veículo comercial.
Perguntas frequentes
Carro elétrico fica mais barato?
A tendência é de carga menor por causa do critério ambiental do Seletivo — mas depende da regulamentação final.
Gasolina vai subir?
O combustível passa a ser cobrado por litro (monofásico). O efeito no preço depende do valor definido — ainda em calibragem.
Minha empresa recupera o imposto do combustível?
Sim, como crédito, quando o veículo é usado na atividade e há nota idônea.
Quando muda?
Ao longo da transição (2026–2033). Veja o cronograma.
Ficou com dúvida?
Sou Rafael Machado, contador e sócio-fundador da NEWCONT (CRC 1SP 263122/O). Atendo empresas em todo o Brasil, com base em Taubaté/SP.
Falar no WhatsAppSobre o autorFontes
- Lei Complementar 214/2025 (Imposto Seletivo e regime de combustíveis).
- Análises do setor automotivo sobre a reforma (2026).
- Ministério da Fazenda — critérios do Imposto Seletivo.
Conteúdo informativo, agosto/2026 (LC 214/2025). Critérios do Imposto Seletivo e alíquotas ainda em regulamentação; exemplos ilustrativos. Não substitui a análise de um contador.
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